terça-feira, 24 de setembro de 2013

Vinicius de Moraes

Ternura............................................................................................. Eu te peço perdão por te amar de repente. Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos. Das horas que passei à sombra dos teus gestos. Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos. Das noites que vivi acalentando Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo. Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente. E posso te dizer que o grande afeto que te deixo. Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas. Nem as misteriosas palavras dos véus da alma... É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias. E só te pede que te repouses quieta, muito quieta. E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade. o olhar estático da aurora.